quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Amanheceu. Os primeiros raios de sol convidavam para mais um dia de trabalho ardento.
Naquele vilarejo não havia novidade. Todos os dias eram iguais. Só se percebia que era um outro dia por causa do anoitecer e do amanhecer.
Povoado pobre, pessoas rudes. Não havia escola. Só além-rio, três horas de canoa. Mas ninguém se encorajava. Muito tempo na água. E o medo de Iara!
A sobrevivência se dava pela pesca, mas o rio era traiçoeiro. Quantos foram e não voltaram!
Naquele dia, Ubaldo despediu-se da mulher, do filho e foi para a margem do rio maravilhado, pois o tempo prometia muitos peixes.
Caminhou lado a lado com Pitoco. O cachorro acompanhava seu dono até a margem e lá ficava até o seu retorno.
Mas, naquela tarde, Ubaldo não voltou e, dizem aqueles que por lá passaram à noite, que viram a sombra de um cachorro nadando rio adentro.
A história que contam na vila é que Ubaldo foi seduzido por Iara. É sempre assim com todos os homens da aldeia.
No povoado já não há mais ninguém. Ninguém tem coragem para desvendar o rio.

Clarice Teixeira Almeida

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